Difícil ajudar quem não quer ser ajudado

Posted by Bruno Fontes on junho 21st, 2010

Mais um jogo do Brasil na copa se foi. Assisti. Para mim, um jogo normal. Torci um pouco para o meu país, torci um pouco contra, para dar um pouco de felicidade para o outro time. Em algum momento fiquei balanceado até onde ouve uma falta proposital ou pura infelicidade. O Brasil ganhou, que bom. Jogadores do meu país conseguindo mais uma vitória, a segunda nesta copa.

Mas foi só acabar o jogo para começar a minha infelicidade. Exatamente da mesma forma que aconteceu da última vez que o flamengo[bb] foi campeão de sei lá o que (não acompanho futebol), o povo correu para as ruas. Mas ao invés de comemorar e brincar sem atrapalhar o próximo, o que vi novamente foram pessoas ensandecidas.

Elas corrias pelas ruas, buzinando, estourando bombas onde passavam carros (treme terra, para quem conhece), algumas motos andando pela contra-mão por uma avenida, carros fazendo pega, freando bruscamente e acelerando em cima de um público que ficava nas ruas assistindo e gritando, alegres. E para fechar com chave de ouro um reboque da Porto Seguro entrou na brincadeira, cruzando a avenida acelerando, freando bruscamente, travando rodas, para o deleite do público local. A coisa toda só acalmou mesmo ao chegar um carro de polícia, onde muitos correram e o pega terminou. Porém ainda se podia ouvir freadas e arrancadas fortes vez por outra durante 1 ou 2 horas seguintes.

O que me deixa chateado com isso tudo é que eu passo boa parte dos meus dias brigando, reclamando, delatando pelo twitter, pessoalmente e pelos meios corretos. Já perdi followers, enviei vários e-mails e perturbei SACs a cada vez que vejo alguma empresa/governo tratando o povo como animais. E aí tem um jogo, as pessoas saem de suas casas e realmente agem como animais…

Engraçado que eu já fiz até um post ensinando como reclamar de forma eficiente e agora me pego pensando em como reclamar do próprio povo. É claro que nestas horas apenas o 190 funciona. Mas antes sequer de pensar nisto, já estava passando um carro de polícia pelo local.

É este um dos motivos que tanto odeio futebol. No geral, é ao terminar os jogos em que este tipo de coisa acontece. Onde fica mais claro o desrespeite do brasileiro pelo próximo.

Enfim, escrevi este post apenas como desabafo. Não vou divulgar nem no twitter e nem em nenhum outro local. Tenho vários outros textos para escrever e não consigo por falta de tempo, mas tive que abrir essas aspas aqui.

*Post propositalmente sem imagens. Assim provavelmente você não vai ler ele por completo.

Como é a vida para quem não gosta de futebol

Posted by Bruno Fontes on abril 19th, 2010

Cada país tem um esporte predileto. Nos EUA é o basquete[bb], porém na maioria dos outros, assim como aqui, a preferência é pelo futebol. O único detalhe que diferencia o Brasil da maioria dos outros países é que aqui o vôlei, a natação, o automobilismo, o tênis e tantos mais são lembrados apenas quando temos chances de medalhas.

Este desespero, doença ou fanatismo, como os próprios torcedores chamam, é que me causa a repulsa pelo esporte. Seja o Flamengo[bb], Vasco, Botafogo ou América, a questão continua sendo a mesma: o brasileiro se tornou monotemático, principalmente aos domingos.  E para entender como eu me sinto, imagine que você não goste de… desenho japonês[bb]!

Shaolin Soccer

Por algum motivo, você não gosta. O desenho em si você releva. Ele existe, está ali, mas como você não gosta, não assiste. Porém, ao seu redor, todas as pessoas, ricas ou pobres, crianças, adultos e idosos idolatram os desenhos japoneses. Há matérias sobre eles na capa de todos os jornais, todos os dias. Inclusive há jornais e programas televisivos do assunto, lojas espalhadas para todos os lados e em qualquer lugar que você chega o assunto é o mesmo. No elevador, twitter, há sempre alguém dizendo que o “Goku[bb]” é mais forte que o “Vegeta[bb]” e outro contestando. E a pergunta é sempre a mesma: “Você prefere Dragon Ball ou Cavaleiros do Zodíaco[bb]?”. Mas, não adianta responder que nem um e nem outro. Sempre irão insistir que você tem uma preferência.

Apesar de passar quase todos os dias desenho japonês na tv, é no domingo aonde se concentram os principais episódios. Aqueles chave, onde o personagem consegue, ou não, vencer o inimigo mais forte. Neste dia, não importa onde você vá: restaurantes, botequins, shoppings ou passando pelas ruas, há sempre uma televisão ligada com o volume alto e várias pessoas assistindo ao desenho, gritando de repente a cada golpe, discutindo quem é o personagem mais forte ou ainda qual é o golpe mais poderoso. Ao ligar o rádio, o locutor está narrando as cenas do desenho.

Shaolin Soccer Chute

Ao fim do episódio, quando o personagem vence, tem mais gritaria e fogos. E no último episódio de cada temporada (dos vários desenhos que passam), as pessoas saem alucinadas, correndo pelas ruas, gritando, bebendo, correndo para um lado e para o outro com bandeiras de seu personagem favorito. Quando fã-clubes de personagens diferentes se encontram dá briga, confusão, pessoas saem feridas e outras acabam na delegacia. Para chegar em casa, você tem que evitar passar por alguns lugares para evitar estas confusões.

Mas… Ufa! Finalmente acabou o dia! Nada mais de desenhos japoneses até amanhã de manhã, quando todos estarão comentando sobre o episódio do domingo…

Depois do Globo Reporter, vem aí Bruno Reporter!

Posted by Bruno Fontes on abril 13th, 2010

Ou ainda: Ônibus enguiçado na Avenida Brasil.

Sexta-feira a noite, você sai do trabalho, está voltando pra casa de ônibus quando de repente… fumaça!

Muita fumaça e o ônibus para, exatamente na pista rápida da Avenida Brasil. Alguns passageiros ficaram preocupados, achando que poderia ser fogo. Todos tiveram que descer e esperar por mais de meia hora um outro ônibus.

Como estava com o smartphone na mão, gravei tudo e fiz uma pequena edição:

Egoísmo Brasileiro…

Posted by Bruno Fontes on fevereiro 16th, 2010

Há quem diga que Brasileiro é um povo feliz, festeiro, simpático e acolhedor, e que isso nos faz melhores que outros povos.

Mas o adjetivo principal que estão esquecendo aí, e que é o responsável por quase todos os problemas deste nosso grande país, é que somos muito egoístas.

Não me olhe assim, somos egoístas, sim! Afinal, estamos em um país onde:

  • Você precisa ser famoso para conseguir doação de sangue;
  • Pessoas saudáveis estacionam em vagas para deficientes;
  • O povo vota no político  que oferece algo de interesse único e exclusivo dele, como professores votando em políticos que prometem melhor situação para os professores;
  • Pessoas furam fila;
  • Atravancam o trânsito fazendo fila dupla e tripla;
  • Aceitam suborno;
  • Destroem orelhões e ônibus;
  • Ignoram sinais vermelhos;
  • Compram produtos provenientes de roubos;
  • Utilizam acostamento e seletiva para ultrapassar alguns carros durante o engarrafamento, mesmo que isto dê um nó ainda maior na trânsito e feche o caminho de ambulâncias;
  • Quando estão com pressa, te empurram na rua, quando não estão, andam ocupando quase todo o espaço da calçada e impedindo a passagem das outras pessoas;
  • Se gosto de algo, posso gritar, aumentar o som, fechar ruas e passar o dia falando sobre isso, mesmo incomodando e atrapalhando terceiros;
  • Campanhas sobre ajuda e conscientização são esquecidas para dar lugar a brincadeiras e festas.

Aqui não há respeito pelo próximo em nenhum nível existente. O pensamento é:

“Primeiro eu, depois minha família e por último meus amigos. O resto que se dane…”

Enquanto pensarmos assim, seremos este país que beira a miséria que conhecemos. Com serviços ruins, hospitais despreparados, péssimos políticos, trânsito caótico, temperaturas altíssimas e criminalidade cada vez maior.

Brasil, o crescimento vem com respeito e trabalho.

—————————–
EDIT: A @lailasena e o @lularibeiro estão com uma excelente campanha para doação de sangue, que é o @veiasocial.

Para mais detalhes, acesse: http://www.veiasocial.com.br

Dê o exemplo! #DeOExemplo

Posted by Bruno Fontes on fevereiro 8th, 2010

Conversando pelo twitter com o @mariofilho, @dulcetti e o @yogodoshi, começamos a falar sobre fazer as coisas da maneira correta e que a maioria não faz o mesmo.

Depois de poucas twittadas concluímos que o mais importante é não esperar pelos outros, fazer a sua parte e dar o exemplo, que assim as pessoas podem gostar e também fazer o mesmo. E neste momento pensei: E que tal se todos falarmos no twitter sobre as coisas que fazemos de bom?

Lixeira, foto por maldiviandude

Podemos mostrar que nós temos orgulho de fazer as coisas certas, e, quem sabe, outras pessoas ao lerem isso não se empolgam e começam a fazer assim também?

Ao comentar isto, a @renatafern deu a ideia de usar a tag #facaoqueeufaco. E logo depois o @mariofilho deu uma ideia de uma hashtag menor, a #DeOExemplo, que todos adoramos.

A tag está fazendo um sucesso de imediato.  Estou monitorando e várias pessoas já estão usando, mostrando com orgulho o que fazem de bom! E você, está esperando o que? #DeOExemplo!

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